
DISCURSO DE FORMATURA C.S. 2007
Em nome dos demais
formandos, cumprimento a todos; em especial ao nosso Paraninfo:
Dr. Clóves Barbosa, aos convidados, amigos e familiares que nos honram
com suas presenças ilustres.
Bem... Há cinco anos e
alguns meses, ingressávamos na Faculdade de Ciências Sociais da UFPA. Éramos 40
estudantes idealistas, cheios de sonhos, expectativas e perspectivas acerca das
competências e habilidades que a formação em Ciências Sociais potencialmente
nos traria.
Infelizmente,
muitos amigos ficaram pelo caminho, alguns desistiram logo no início, outros,
mudaram de curso no decorrer do tempo, enfim, o certo é que pouco mais da
metade conseguiu, a duras penas, chegar até esta etapa conclusiva,
majoritariamente apaixonada pelo ofício que escolheu.
Como é de
conhecimento de todos, a grande maioria dos estudantes que optam por cursar Ciências
Sociais não o fazem por outro motivo, se não pra reverter o processo opressor
que o modelo social vigente nos impõe, uma vez que todos somos oriundos da
classe trabalhadora e, portanto, vítimas da desigualdade e das contradições do
sistema econômico.
Dessa forma, as
dificuldades e os obstáculos foram uma constante no decorrer da nossa formação.
Muitas vezes faltou dinheiro pra comprar textos, pra lanchar, pra condução, porém,
superabundou alegria, garra e perseverança pra persistirmos em busca de
realizar nossos sonhos e metas.
Não poderíamos
deixar de fazer menção ao know-how acadêmico e humano que acumulamos (e, efetivamente
saímos com o bastante pra fazer a diferença na construção de uma sociedade mais
justa e humanitária). Certamente levaremos por toda a vida, alguns princípios
que as Ciências Sociais nos apresentaram, aqui colocados resumidamente e por
área do conhecimento:
·
Antropologia:
Respeitar o “outro” com suas diferenciações culturais, sociais ou fenotípicas;
·
Ciência
Política: Saber que a esquerda, a direita e a terceira via – a saber, a democracia
- são apenas facetas do mesmo prisma social chamado política, que, aliás deve
ser amplamente discutida e questionada, de forma salutar e respeitosa, sempre;
·
Sociologia:
Entender que no mundo moderno, nada começa e termina em si mesmo, todo fenômeno
social tem um princípio desencadeador: estrutural e/ou ideológico. E que a
sociedade já não mais conhece outro profissional laico que possa dar explicações e apontar medidas pra frear essa regressão à
barbárie que a dita civilização impôs à humanidade, senão o Cientista Social.
Ora, nesses anos
de convivência com os amigos e com a ciência, aprendemos também a respeitar a
oposição e cultivar o direito de manifestação da opinião do outro, ainda que
não concordemos.
Isso posto, o
que resta é falar de uma saudade imensa das brincadeiras, bordões, discussões, que
aconteciam tanto nas aulas, quanto fora da sala de aula... Tudo isso aliado à
certeza de que nunca mais seremos os mesmos, haja vista que podemos dar grande
contribuição no processo de construção do conhecimento científico, bem como de
uma educação mais qualitativa e de uma política que substitua de vez a
politicagem.
Acima de tudo,
concluímos essa fase de nossas vidas com total confiança de que fizemos grandes
e sinceras amizades e ganhamos alguns irmãos.
Assim sendo,
cabe aqui fazer a seguinte pergunta:
- E aí cientistas
sociais, estão prontos pra conquistar o mundo?