domingo, 24 de novembro de 2013

CHORA, MENINA, CHORA....





Uma lacuna enorme
Um jogo de lenços novos,
Fotos antigas, dores agudas...
Paira sobre a noite o torturar da perda,
Rasgando-a violentamente por dentro
Exalando tristeza avassaladora pelo ar
Travesseiro encharcado de lágrimas,
Flores murchas, envenenadas, chorosas;
Maculando o sorriso barato,
Outrora, Por assim dizer,
Gratuito <até>...
Eis, entretanto, que o dia se aproxima
                                                                                    Que venha logo, que te seja generoso.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Aliterações PRimitivas e PRoativas para minha amada

A imPRessão que tive daquela noite

Foi tão comovente, quanto PRecisa;

<E, por que não dizer, PReciosa?>

PRessionava-me, ávido por novidades concretas,

A sonhar contigo, PRestes a me beijar,

Num déjà vu PRaticamente insano...

Estávamos ([{quase}]) PRontos pro amor.

Confesso imPRessionar-me com menos facilidade;

Mesmo por que, me aPRouve em confessar:

Que emPRestamo-nos um ao outro por etapas

De um gradual processo de cura, PRaticamente recíPRoco...

Sem qualquer vestígio nocivo de aPRisionamento,

Agora dizemos nós, em versos e PRosas,

Sem nenhuma PRessa: que se demore em vir o futuro,

Pois o PResente, muito nos tem agradado, a despeito do passado!  

 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

CONVERSANDO COM VERSOS PARTE II - O AROMA DA DOR


O aroma da dor está entranhado no vácuo poético,

Nas vicissitudes da batalha,

Na doma metódica do espírito

De um ponto estratégico;

Diluído numa dose torpe de cafeína...

Que acomoda; fere; afugenta,

Mas também esquenta e recria na pele da alma

Escamas de vida nova.

Criando sabores indeléveis de arte...

A arma do trovador, amiúde, repousa

<Em tavernas escuras da noite>

Doce e quente como o amor...

Prato insueto nas mesas de honra!

No mundo das flores que falam

Ou nas falácias bobas que florescem no mundo...

Ainda assim, os mortais se esquecem

E os eternos se calam...

E se recria o nada, sem que, via de regra,

O tudo deixe de se refazer.

sexta-feira, 6 de julho de 2012


DISCURSO DE FORMATURA C.S. 2007


Em nome dos demais formandos, cumprimento a todos; em especial ao nosso Paraninfo: Dr. Clóves Barbosa, aos convidados, amigos e familiares que nos honram com suas presenças ilustres.
Bem... Há cinco anos e alguns meses, ingressávamos na Faculdade de Ciências Sociais da UFPA. Éramos 40 estudantes idealistas, cheios de sonhos, expectativas e perspectivas acerca das competências e habilidades que a formação em Ciências Sociais potencialmente nos traria.


Infelizmente, muitos amigos ficaram pelo caminho, alguns desistiram logo no início, outros, mudaram de curso no decorrer do tempo, enfim, o certo é que pouco mais da metade conseguiu, a duras penas, chegar até esta etapa conclusiva, majoritariamente apaixonada pelo ofício que escolheu.
Como é de conhecimento de todos, a grande maioria dos estudantes que optam por cursar Ciências Sociais não o fazem por outro motivo, se não pra reverter o processo opressor que o modelo social vigente nos impõe, uma vez que todos somos oriundos da classe trabalhadora e, portanto, vítimas da desigualdade e das contradições do sistema econômico.
Dessa forma, as dificuldades e os obstáculos foram uma constante no decorrer da nossa formação. Muitas vezes faltou dinheiro pra comprar textos, pra lanchar, pra condução, porém, superabundou alegria, garra e perseverança pra persistirmos em busca de realizar nossos sonhos e metas.  
Não poderíamos deixar de fazer menção ao know-how acadêmico e humano que acumulamos (e, efetivamente saímos com o bastante pra fazer a diferença na construção de uma sociedade mais justa e humanitária). Certamente levaremos por toda a vida, alguns princípios que as Ciências Sociais nos apresentaram, aqui colocados resumidamente e por área do conhecimento:
·         Antropologia: Respeitar o “outro” com suas diferenciações culturais, sociais ou fenotípicas;


·         Ciência Política: Saber que a esquerda, a direita e a terceira via – a saber, a democracia - são apenas facetas do mesmo prisma social chamado política, que, aliás deve ser amplamente discutida e questionada, de forma salutar e respeitosa, sempre;


·         Sociologia: Entender que no mundo moderno, nada começa e termina em si mesmo, todo fenômeno social tem um princípio desencadeador: estrutural e/ou ideológico. E que a sociedade já não mais conhece outro profissional laico que possa dar explicações e apontar medidas pra frear essa regressão à barbárie que a dita civilização impôs à humanidade, senão o Cientista Social.
Ora, nesses anos de convivência com os amigos e com a ciência, aprendemos também a respeitar a oposição e cultivar o direito de manifestação da opinião do outro, ainda que não concordemos.
Isso posto, o que resta é falar de uma saudade imensa das brincadeiras, bordões, discussões, que aconteciam tanto nas aulas, quanto fora da sala de aula... Tudo isso aliado à certeza de que nunca mais seremos os mesmos, haja vista que podemos dar grande contribuição no processo de construção do conhecimento científico, bem como de uma educação mais qualitativa e de uma política que substitua de vez a politicagem.
Acima de tudo, concluímos essa fase de nossas vidas com total confiança de que fizemos grandes e sinceras amizades e ganhamos alguns irmãos.
Assim sendo, cabe aqui fazer a seguinte pergunta:
- E aí cientistas sociais, estão prontos pra conquistar o mundo?



domingo, 29 de abril de 2012

CONVERSANDO COM VERSOS - Parte I



Conversando com versos, farejei a luz do tempo,
Pra constatar o calor de suas palavras agudas e vislumbrar

O passado recente que me atormenta,
Um presente que agora me acalenta,

E um futuro que me aprisiona
Com correntes de fogo torto...
Um vento me sussurra os segredos do amor
Com cheirinho de gardênias recém-colhidas
No lírico jardim de devaneios, os quais me libertam,
Acelerando-me em parcelas introspectivas
De assoreamento sentimental, em pleno jardim do amor...
A mercê do orvalho, fiz um pacto com as formigas,
Chega de acovardar-me, é chegada a hora,
Agora é tudo ou nada, agora é nada ou tudo!
Um pouco de saudosismo amargo e frio...
Pra compor o aglomerado de cláusulas
De um pré-contrato que fiz com o tempo
E com as flores, dando trégua às muitas dores,
De meu staff, limitado e ébrio de lembranças,
Protuberantes e petulantes, em detrimento vil
Do sabor da arte que me compõe para, em seguida me descompor...

sábado, 14 de abril de 2012

CIÊNCIA x CRENÇA


Amiúde me martelam certos questionamentos,
Como num jogo de prismas em acrílico tosco
Os quais refratam filosofias há muito já amputadas,
Por todo o meu know hall criacionista e imutável.
Sem que minha atrição compulsória e atroz,
Mais uma vez me levasse a refilar bruscamente;
Oh céus, onde está a sensatez que me compõe?
A bússola desorientada me foi presenteada
Pelos gregos do ocidente <tal qual Heitor, a recebi um dia...>
Sem necessariamente me sentir instrumentalizado
Com as vicissitudes de um fazer ciência a la Bronislaw...
Quem me pode ditar o que fazer, se não meu Rei?
Marxinho? Webbinho? Ou será Durkheiminho?
A cada um, respeito, aprecio e, sobretudo, questiono,
Desviando-me da empáfia da cientificidade reacionária,
Porque o Reino pelo qual vivo e luto,
Em nada se assemelha à jactância funcional
Vislumbrada em Ciências e/ou Religiões fundamentalistas.
Doa onde doer, se tiver que morrer por isso eis-me aqui.


domingo, 1 de abril de 2012

PARA O AMIGO DE TODOS, A SABER, O CEREBRAL CRISTIANO BENTO...


Tal qual um persistente animal,
Nesta piracema do viver de “bicho homem”
Que sobe as corredeiras da vida
Em busca de algo a mais;
Superando obstáculos, desafios e blá, blá, blás...
(Além de probabilidades aterrorizantes pra qualquer outro)
Buscando um cantinho ao (abrigo do) Sol, talvez...
Vens cuspindo nas estatísticas...
Mas tiveste que ser forjado pra aprender...
Aprender a Perder às vezes e a perdoar sempre;
A questionar o Poder, mas também a ponderar questões,
A praticar alegria e a alegrar coisas práticas e cotidianas...
Jamais te refugiaste na obscura caverna do conformismo;
Enfrentaste com honra a onda do pessimismo crônico,
Que, aliás, é tão letal quanto brutais ataques de Napalm,
Para aqueles que nasceram longe do conforto
Dos bercinhos de ouro, feitos para fracos...
Pois, os fortes repousam em manjedoura, rede e cama da mãe...
(...)
Cristalino ser Humano este tal Cristiano,
Era pra ser só mais um fulano, mas não ele não o quis,
Trata-se de uma escolha. E quem toma as escolhas certas
Torna-se uma referência para as gerações que ainda não o fizeram...
Parabéns meu grande amigo,
O Brasil precisa de mais heróis do teu naipe!

segunda-feira, 19 de março de 2012

CORPOS e MENTES: O AMOR E AS INCOMPATIBILIDADES


Quando dois corpos e duas mentes se amam,
Intensa e mutuamente se querem,
De forma alguma, entretanto, pensam no porvir,
Em verdade, nem sequer pensam...
De repente, aparecem sorrateiramente
As indesejáveis incompatibilidades
De princípios, de sonhos, de obstinações...
E entram pela portinha do ninho;
O AMOR, com ciúmes,
Ao deparar-se com tão nocivos rivais,
Pula pela janela por puro instinto de sobrevivência,
Ele não vai embora ainda, pensa até em voltar
Quando os intrusos se evadirem
Daquele ninho de amor, que é a sua casinha,
Porém, o clima frio do mundo externo,
Já o resfriara, colocando-o em sério risco de morte.
Ele volta, mas dificilmente sobreviverá,
Porque a chaga mortal da frieza já o atingiu;
Então, corpos e mentes padecerão por muito tempo...
Até que um novo AMOR - salutar - se achegue para ocupá-los
E preenchê-los com cumplicidade amorosa
Ou mesmo para renovar o ciclo de sofrimentos.